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ESPAÇO CRÍTICO


AMEAÇA À HUMANIDADE

Com a aceleração do processo de destruição da natureza, tsunamis, terremotos e dilúvios são manchetes constantes nos jornais

 

 

 

Nelson Marialva

Jornalista

 

 

 

 

 

Devido a aceleração do processo de destruição da natureza, fenômenos como tsunamis, terremotos, maremotos, ciclones e dilúvios vão surgindo com grande freqüência no dia-a-dia da Humanidade, causando sofrimento, pobreza e miséria. Exemplo mais recente: Estado de Santa Catarina, onde ocorreu um verdadeiro dilúvio que já matou mais de 100 pessoas, desabrigou em pouco tempo quase 80 mil  e impactou 1,5 milhão.

Previsões catastróficas têm sido feitas por cientistas do mundo inteiro. É fato certo, que ao destruírem irresponsavelmente a natureza, o homem construiu uma bomba, que só Deus pode desarmá-la. Agora, com o mau construído e para angústia das nações, ninguém sabe dizer com exatidão o que vem a seguir, mas uma coisa já se tem certeza: mesmo reduzindo em 80% a emissão de gases do efeito estufa a temperatura do planeta crescerá, segundo Vicente Barros, climatologista e co-presidente do Grupo de Estudo do Painel Intergovernamental da Organização das Nações Unidas (ONU) de Mudanças Climáticas (IPCC).

Numa entrevista à Folha Universal, Vicente Barros, que também é professor da Universidade de Buenos Aires, afirmou que em 50 anos o aquecimento da América do Sul será tão forte que o volume dos caudalosos rios do continente será reduzido. "É previsto um grande aquecimento na América do Sul, com 4º. C a 5º. C a mais na Zona do Amazonas, além de menos chuva na região central do Brasil", declarou o climatologista, durante viagem em outubro deste ano a São Paulo para discutir "aquecimento global e as mudanças que o fenômeno provoca".

Impactos ambientais - Mesmo com as respostas cada vez mais violentas da natureza à ação irresponsável do homem na questão do meio ambiente, a  irresponsabilidade continua e o que restou de área verde está sendo devastado. Na região oeste do Estado do Pará, na floresta nacional do Trairão, cerca de oito pessoas foram presas em área de exploração ilegal de madeira. Para a imprensa, o agente de Fiscalização Ambiental Alessandro Queiroz, que participou da ação, disse que uma equipe formada por funcionários do Ibama e do Instituto Chico Mendes (ICMBio), policiais civis e militares foi ao local para averiguar denúncia de atividade madeireira ilegal e encontrou os infratores em uma área de difícil acesso. "Eles tinham equipamentos para corte de madeira e confessaram que estavam derrubando a mata", declarou ele, ressaltando que os infratores foram flagrados com três caminhões para transporte de madeira, mas somente um estava carregado com toras de ipê. "Nas proximidades havia toras de madeira espalhadas por pátios de estocagem", informou. De acordo com Queiroz, havia um quarto caminhão no entorno da reserva, que foi usado para despejar madeira no caminho de acesso à floresta na tentativa de impedir a fiscalização na área.

Desmatamento zero - Em se tratando de Amazônia, não se sabe ainda tudo, principalmente sobre o impacto do aquecimento global na sua floresta. Em vista disto, Brasil e Reino Unido criaram um grupo de estudo com o intuito de "desembaraçar" a visão sobre os impactos locais que o aquecimento global poderá trazer às diferentes regiões do Brasil, sobretudo para a floresta da Amazônia. Preocupado com os problemas sociais e também com a destruição da floresta amazônica, o líder e ideólogo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stedile, declarou, ao Globo Amazônia, que é favorável ao desmatamento zero. "As áreas que já foram desmatadas são suficientes para a produção de alimentos e o desenvolvimento da região", declarou Stedile, ressaltando que a falta de infra-estrutura nas terras concedidas na região leva ao desmatamento dos lotes. "Os governos, seja estadual ou federal, estão aplicando a fórmula tão simples quanto medíocre de apenas distribuir terras públicas em projetos de colonização", afirmou.

Avaliação - Na Amazônia Legal, apesar do desmatamento ter diminuído 8% em outubro em relação a setembro, segundo levantamento divulgado no dia 5 de dezembro de 2008 pela UOL Notícias, no Mato Grosso e no Pará, que já perdeu grande parte de sua cobertura vegetal, a destruição da floresta continua acelerada. De acordo com Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), foram devastados 541 km² da Amazônia contra 587 km² registrados no mês anterior. Em agosto, foram desmatados 756 km². "Do total devastado em outubro, a maior parte foi registrada nos Estados de Mato Grosso (233 km²) e Pará (218 km²)", informou o Inpe. "O desmatamento anual da Amazônia, medido entre agosto de 2007 e julho de 2008, cresceu 3,8%", ressaltou o instituto.

Na avaliação feita à imprensa, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, declarou que a tendência é de queda na devastação. Para ele, a  devastação diz respeito a áreas de corte raso - remoção total da cobertura florestal em um curto intervalo de tempo - e degradação progressiva - que é um processo gradativo, com perda parcial e contínua da floresta. "Ações como a aprovação da Lei de Crimes Ambientais, o bloqueio de crédito a produtores que desmatam ilegalmente e a fiscalização reforçada em 36 municípios com os maiores índices de desmatamento evitaram um crescimento maior de desmatamento", completou.

 

 

 




Escrito por Nelson Gonçalves Marialva às 18h03
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CONFLITO NA AMAZÔNIA

Parte da floresta amazônica está passando para as mãos de estrangeiros: mito ou realidade ?

 

 

 

Nelson Marialva

Jornalista 

 

 

 

 

 O debate tem se ampliado, mas ninguém tem a resposta sobre o que existe de verdade na suposta transferência de terras da Amazônia para as mãos de estrangeiros. Depois de Ford, veio para a região Daniel Keith Ludwig, outro milionário americano que não queria somente grandes extensões terras, mas um território estrangeiro dentro do País. Em 1967, quando assumiu o controle da Jari Comércio, Indústria e Navegação, Ludwig imaginou que incorporara ao seu patrimônio uma área de aproximadamente 4 milhões de hectares na foz do rio Amazonas. Não era assim. Logo seus assessores jurídicos lhe fizeram ver que a realidade era bem outra. Convencionou-se que a propriedade não chegava a 2 milhões de hectares. Mas essa convenção não foi aceita quando, em 1976, Ludwig tentou legitimar 32 das suas glebas, diz o jornalista Lúcio Flávio Pinto, numa de suas reportagens sobre o Jarí, ressaltando que o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) verificou que ele não podia ter nem 10% do que pensava. Na verdade, segundo Lúcio Flávio Pinto, a maioria dos seus títulos era de posse, um documento expedido na passagem do século XIX para o XX como uma espécie de autorização de ocupação de terras devolutas com direito futuro a se tornarem particulares, desde que medidas e demarcadas - o que raramente foi feito. “A legitimação empacou e desde então o esforço dos donos do "projeto Jari" tem sido o de garantir como se fora propriedade o que, efetivamente, propriedade não é. Essas terras, descritas como se somassem 1,6 milhão de hectares, foram dadas em dupla hipoteca para assegurar os empréstimos que permitiram a Ludwig e seus sucessores implantar uma fábrica de celulose, uma termelétrica, um plantio artificial de mais de 100 mil hectares e toda infra-estrutura na área”, informou Lucio Flavio Pinto, ex-presidente do Sindicato de Jornalistas do Estado do Pará.

 

Preocupação com a floresta -  No município de Santa Bárbara, no Pará, a instituição japonesa, Ken jin kai, administra uma grande extensão de terra entrecortada por rios, com o objetivo de preservar a floresta. Segundo os administradores da área, cada turista japonês que visita o Estado planta uma árvore no local. Ninguém quer a destruição da mata, porque seria desastroso para o mundo. Segundo a revista Veja, de 26 de março de 2008, basta listar algumas características da floresta amazônica para concluir que sua extinção seria uma tragédia para a Humanidade. “Maior floresta tropical do mundo, ela abriga 15 % de todas as espécies de plantas e animais conhecidos no planeta. Só de peixes são 3.000 tipos”, diz a Veja, lembrando que na Amazônia encontra-se duas vezes mais espécies de aves do que nos EUA e Canadá. “Apesar dos números superlativos, calcula-se que apenas um décimo da biodiversidade da região tenha sido estudada”, ressaltou a revista.

Terra de ninguém ? – Contando com aproximadamente 700 fiscais na Amazônia, a região fica à mercê de aventureiros estrangeiros. De acordo com a Folha de S. Paulo, fazendeiros e investidores estrangeiros têm comprado 12 km2 de terras por dia no Brasil, o equivalente a sete parques Ibirapuera. O ritmo da “estrangeirização" de terras foi medido a partir de dados do Cadastro Rural de novembro de 2007 a maio de 2008. No período, estrangeiros adquiriram áreas que somam 2.269 km2 e venderam 216 km2 -o saldo foi de 2.053,2 km2. O total de terras em nome de estrangeiros passou de 38 mil km2 para 40,3 mil km2 nesse intervalo, segundo o cadastro. O levantamento não inclui empresas nacionais que têm capital estrangeiro. Há pouco tempo, a imprensa noticiou que milionário sueco instalou 1.300 km2 de reservas em área de ouro e diamante para “preservar floresta”.  Para os jornais, o governo informou que o milionário sueco, com cidadania britânica, Johan Eliasch, adquiriu através de um “fundo de investimento” de sua propriedade, com sede em Delaware, nos EUA, terras na Amazônia que somam 160 mil hectares, e, através da ONG britânica “Cool Earth” - que fundou e controla - mais 145 mil hectares, área equivalente ao dobro da cidade de São Paulo.

Assessor do primeiro-ministro britânico Gordon Brown, o sueco é casado com a socialite brasileira Ana Paula Junqueira. Os dois deram entrevistas para jornais do mundo inteiro alardeando a compra de uma floresta na Amazônia. Num levantamento preliminar, o Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) aponta a existência de 33 mil imóveis rurais na Amazônia nas mãos de estrangeiros.
Para o presidente da subcomissão de questões fundiárias e agrárias da Amazônia, deputado Asdrúbal Bentes (PMDB), a situação está fora de controle. Segundo o parlamentar, a situação é facilitada por uma brecha na lei. “Hoje para o estrangeiro adquirir imóveis rurais no território nacional basta ter um sócio brasileiro, que pode participar com apenas 1% do capital”, disse o político à imprensa.

Enquanto isso, os índios vão ficando sem suas terras. No Estado de Mato Grosso, na rodovia que vai de Vila Rica (MT) a Primavera do Leste (MT), é comum se ver índios longe de suas culturas, perdidos no meio de uma sociedade completamente diferente da sua. Com a expansão demográfica e da fronteira agrícola, pecuária, mineral e industrial do Mato Grosso ao Acre, a situação vai se agravar e devem surgir tensões sociais, conflitos de terras, disputas de posse e invasão de terras indígenas.

Mito ou realidade ? - Viajando pelos rios da Região  Amazônica, no período de dezembro de 2007 a abril de 2008,  este jornalista observou a presença de grande número de estrangeiros em busca de informação da região, por isso o Governo acordou de um sono profundo e resolveu colocar a questão da segurança da Amazônia brasileira na pauta de prioridades. Com o agravamento da crise entre o governo e a internacionalização da guerra civil na Colômbia, associada ao narcotráfico, o Brasil deve investir aproximadamente US$ 10 bilhões na modernização das Forças Armadas, com o intuito de ocupar os espaços vazios deixados por décadas por sucessivos governos brasileiros. Muitos acreditam que a internacionalização vem. Mas de que forma ? Perguntam alguns. Se, para muitos, a internacionalização da Amazônia, como apropriação e ocupação de território, é apenas uma lenda, um mito, um fantasma, para as Forças Armadas brasileiras ela é uma possibilidade, diz o site ComCiência, ressaltando que o cientista político Paulo Ribeiro Rodrigues da Cunha, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), afirmou que “os militares brasileiros hoje analisam que a situação não é propriamente de perigo, mas que remete, projeta, um conflito futuro para daqui a 30 ou 40 anos com o inimigo mais provável: os EUA. “Objetivamente temos que pensar que a internacionalização é algo que pode de fato acontecer. Embora estejamos em um mundo `civilizado`, estamos muito próximos da barbárie, cujos valores são construídos e facilmente subjugados aos interesses econômicos, como vimos no Iraque, conclui o site ComCiências.

 

 



Escrito por Nelson Gonçalves Marialva às 10h56
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